Ainda deitada na cama e de olhos fechados, fiz um check list mental das atividades do dia. Assim que acabei, respirei fundo e me levantei para a minha rotina.
Abri a janela do quarto para ver como estava o dia, dei comida para os gatos, limpei a caixinha de areia, tomei banho, tomei café, peguei o carro, enfrentei o trânsito caótico da cidade, e tentei pegar o jornal do farol (que aliás é uma tarefa árdua, pois nem sempre os mocinhos vêm até seu carro).
Quarenta minutos depois entro na agência, tiro a bolsa do ombro, ligo meu computador e sento em minha cadeira para ler meus e-mails.
Embora ansiosa por repostas e soluções pessoais (financeiras e amorosas), meu telefone não toca toda a manhã e o decorrer do dia não tenho maiores emoções além de apagar pequenos incêndios.
Nos escassos minutos que dura meu café expresso com um pouquinho de leite na parte da tarde, começo a sentir um certo desânimo.
De volta à minha mesa de trabalho, eu me dou conta de que nem sempre posso conseguir aquilo que planejo ou desejo.
Que a vida é solidamente instável, não permite ensaios e que achar uma estabilidade é utopia infantil dos tempos modernos. Assim eu compreendo que há beleza tanto nos dias cinzas como nos dias ensolarados, e que o verdadeiro desafio é viver a vida intensamente sem querer controlá-la.
Lembro que os sonhos dos grandes sonhadores nunca se cumprem, sempre se superam, por mais tempo que demorem a acontecer (alguns chegam até a ultrapassar o período de vida do próprio sonhador). E contente com minha conclusão, sorrio.
Inspiração: texto B-coolt